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Livros Societários: Obrigatoriedade Legal e Papel Estratégico em Operações de M&A

Apesar de muitas vezes relegados a segundo plano na rotina das empresas, os livros societários são elementos fundamentais para a governança, a conformidade regulatória e a segurança jurídica. Sua manutenção não é opcional: é uma exigência legal que pode se tornar fator decisivo em operações estratégicas como fusões e aquisições (M&A).

Em meio à correria da gestão de uma empresa, é natural que alguns registros pareçam apenas uma formalidade burocrática. Mas os livros societários não entram nessa categoria. Eles são, na prática, a espinha dorsal documental da empresa — especialmente quando falamos de segurança jurídica, governança e credibilidade no mercado.

Manter os livros societários atualizados é uma exigência legal, sim. Mas mais do que isso, é uma forma de proteger os sócios, facilitar decisões estratégicas e demonstrar maturidade institucional perante investidores, parceiros e órgãos reguladores.

Vamos entender o porquê:

Comprovar presença e validade de decisões

Imagine que um acionista se recuse a assinar a ata de uma assembleia. Sem o livro de presença dos acionistas, como comprovar que ele realmente esteve presente? Sem essa prova, pode haver questionamento da validade da deliberação. O livro é a sua garantia documental.

Provar titularidade e transparência societária

É nos livros que estão registrados quem são os sócios ou acionistas, quantas quotas ou ações possuem e se há qualquer restrição ou ônus sobre elas. Isso é essencial em disputas, processos de sucessão, cisões ou fusões.

Evitar conflitos e litígios

Deliberações importantes, como aumento de capital, mudanças contratuais ou eleição de administradores, devem estar registradas em ata. Essas atas precisam constar nos livros próprios — caso contrário, podem ser anuladas judicialmente por falta de formalidade.

Blindar a empresa em due diligences e M&A

Durante processos de fusão, aquisição ou investimento, os livros societários são criteriosamente analisados. Ausências ou irregularidades geram insegurança jurídica, impactam o valuation e podem até inviabilizar a operação.

Demonstrar governança e atrair investidores

Empresas com livros bem organizados mostram que levam a sério a gestão e a transparência. Isso inspira confiança e reduz riscos percebidos por quem pensa em investir.

Quais livros são obrigatórios?

De acordo com o art. 100 da Lei das SAs, A companhia deve ter, além dos livros obrigatórios para qualquer comerciante, os seguintes, revestidos das mesmas formalidades legais:

Livro de Registro de Ações Nominativas – Registra o nome dos acionistas, número
de ações, alterações de titularidade, ônus, penhoras e demais informações relevantes;

Livro de Transferência de Ações Nominativas – Lançamento de transferências, assinadas por cedente e cessionário;

Livro de Registro de Partes Beneficiárias Nominativas – Se houver emissão de partes beneficiárias, registra sua titularidade;

Livro de Transferência de Partes Beneficiárias Nominativas – Para transações dessas partes;

Livro de Atas das Assembleias Gerais – Registro das deliberações dos acionistas;

Livro de Presença dos Acionistas – Controla a presença nas assembleias;

Livro de Atas das Reuniões do Conselho de Administração – Se houver conselho, deve registrar suas decisões;

Livro de Atas das Reuniões da Diretoria – Formaliza as decisões da diretoria;

Livro de Atas e Pareceres do Conselho Fiscal – Quando o conselho fiscal estiver em funcionamento;

Livro de Registro de Debêntures – Para companhias que emitem debêntures, conforme exigido pelo art. 74 da mesma lei.

A ausência ou irregularidade desses registros pode comprometer a validade de atos societários, gerar riscos jurídicos e impedir ou atrasar operações relevantes.

M&A, Due Diligence e Risco Jurídico

Em operações de M&A, a auditoria societária é etapa inafastável. Livros incompletos, inexistentes ou mal escriturados dificultam a comprovação de deliberações, alterações contratuais, eleição de administradores, distribuição de lucros e reorganizações internas.

Na prática, isso se traduz em insegurança jurídica para investidores e adquirentes, que podem reavaliar ou até desistir da operação diante da fragilidade documental.

Durante processos de M&A, os livros societários são analisados com rigor nas due diligences. Deliberações societárias não registradas ou mal documentadas são red flags que geram insegurança jurídica, impacto no valuation e, muitas vezes, inviabilizam a operação.

Empresas que mantêm sua documentação regularizada demonstram maturidade jurídica, governança e organização — atributos decisivos para investidores e adquirentes.

Escrituração Digital: Uma Solução Simples e Segura

A boa notícia é que a tecnologia permite, hoje, que os livros societários sejam escriturados digitalmente, com respaldo jurídico, desde que sejam garantidas a autenticidade, integridade e conservação dos registros.

Soluções especializadas em gestão societária facilitam a organização, o controle e a exportação desses documentos, promovendo uma governança ágil, auditável e adaptada às exigências do mercado e do investidor.

Conclusão

Livros societários não são um detalhe burocrático. São o alicerce documental de toda e qualquer estrutura societária. Em um contexto de alta competitividade e busca por capital, negligenciá-los é um erro estratégico.

Empresas que pretendem crescer, captar investimento ou se posicionar para um M&A devem encarar a escrituração societária como prioridade – e não como um arquivo morto. O tempo de regularizar é antes do investidor pedir, não depois.

Na Beck Advogados, assessoramos empresas na estruturação, regularização e digitalização de seus livros societários, com foco em segurança jurídica e preparação estratégica para rodadas de investimento e operações de M&A.

Se a sua empresa ainda não tem essa frente organizada, fale conosco. Prevenir é sempre mais eficiente (e mais barato) do que remediar.

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